domingo, 1 de junho de 2014

O primeiro paper e as fases pré publicação

Aconteceu em Julho de 2013. Demorou, mas o grande dia, o mais esperado, o mais almejado na minha vida de bióloga, aquele que resolveria o dilema, a dúvida que pendia entre o ser possível e o “não tenho jeito para a coisa”*.

Como deu trabalho.. e o mais engraçado é que a gente pensou tanto para alcançar a simplicidade máxima. A grande descoberta pessoal do meu primeiro paper é que, para publicar, você precisa trabalhar exaustivamente para conseguir ser o mais claro e simples o possível (obrigada MARM)!

Não sei se as sensações que eu tenho sobre mim mesma como pesquisadora serão sempre as mesmas.. Aliás, espero que algumas dessas sensações passem: Além do meu constante sentimento de defasagem científica diário, vem também a superação, reflexão, o subestimar meus dados, e a luta entre a menininha que abraça sua hipótese de pelúcia e a cientista cética que as chuta!
Pelas pesquisas que tenho feito ultimamente, posso identificar e listar para vocês algumas fases recorrentes comuns a elas todas**.. espero que se identifiquem. E caso ainda não tenham passado por por essas fases ao longo de sua pesquisa, já fiquem avisados que elas existem!

**Atenção, essas são as minhas impressões...conheço outros colegas que tem visões diferentes e que passam por outros estágios, sejam eles o “tesão por resolver qualquer mistério” ou o “querer cortar os pulsos”, ou mesmo a fase “bala no orientador” srsrsrs!

O Encantamento: para mim, a parte mais gostosa de todas... talvez mais até do que o publicar. É aí que você, com calma, procura lacunas na ciência, perguntas relevantes, que fazem sentido.. angústias científicas que você gostaria de resolver. E aí você aplica todo aquele conhecimento de método científico para escrever o seu projeto!  É lindo.. as discussões com o orientador ou demais co-autores, aquela “viagem” e ideias fluindo. Aí você embasa suas hipóteses, define um bom delineamento, algo exequível.. nesse momento você fica bem otimista com o campo também, ou com a coleta de dados.. E você usa muito da sua criatividade, o que é muito legal!

A angústia: após 3 meses de submetido, a aprovação do projeto ainda não saiu.. o relógio correndo e você começa a pensar nos problemas logísticos que terá se não começar os campos AGORA! (nesse momento sinto que muitas pessoas vão se identificar).

O vislumbre: isso é novo, isso vai ser muito útil! Projeto aprovado, tenho grana, bora pro campo/lab/museus do mundo!

A estafa: depois de metade dos campos concluídos a fadiga toma conta de você. Essa fase é um limiar real. Muitas pessoas nesse momento pararão de fazer os campos por falta de tempo/dinheiro/energia e analisarão tudo daquele jeito mesmo. Outras pessoas terão uma crise durante mais ou menos um mês, quando vão chorar, conversar com amigos, refletir e chegarão na conclusão de que elas não são vítimas da própria pesquisa. Aí elas pararão de se sentir como vítimas e levantarão, sacudirão a poeira e darão a volta por cima, cumprindo todas as etapas da melhor maneira possível (sangue+suor+lágrimas). Outras pessoas desistirão da pós-graduação e da vida acadêmica.

A fase “Acabei os campos”/”Acabei o experimento”/”Acabei os sequenciamentos”/”Acabei de medir todos os bichos do museu”:  ESSA FASE É UMA DELÍCIA! Agora você tem A PLANILHA! Você olha deliciada para aquela planilha e vai comemorar, pagando rodada de pinga pra galera!

A fase organizar estágio relâmpago no exterior: se resume a LOUCURA! Mas vale a pena!

A queda do coqueiro: Aí você começa a fazer os primeiros EDAS, gráficos exploratórios.. e pula logo pro que interessa.. para aquela associação que você esperava (já que sua hipótese ainda não era modular naquela época rsrs..). Seu coração bate apertado quando você vê que o padrão que você esperava não é tão claro.. ou que nem era um padrão! E você quebra a cabeça pensando no que pode explicar aquilo, mas depois de não se satisfazer com suas explicações, você vai dormir, ou tentar dormir, chateado, pensando que você é uma m###a de pesquisador rsrs!

Fase “já se passaram dois anos..”: essa fase faz qualquer um refletir muito. Por exemplo, em um mestrado, é fim de bolsa, mas a pesquisa não acabou. Cadê o artigo? ... tenso..

Bom.. no momento eu estou na fase “já se passaram dois anos”. Conforme eu for conhecendo novas fases, atualizo aqui. E vocês, tem alguma fase recorrente na sua vida acadêmica? Compartilhe!

*na época, a publicação resolveu essa dúvida, mas hoje em dia ainda tenho muitas outras, afinal papers não são tudo, embora sejam muita coisa!