terça-feira, 10 de outubro de 2017

Percepções de um doutorado na metade do doutorado




Oi pessoal,

Estou sumida do blog, eu sei, mas como todos sabem, quando você começa o doutorado é como se você entrasse numa caverna.. e quando sai, sai com aquele aspecto de ser albino se arrastando, quase um troglóbio, só que tedioso... rsrs! Brincadeira..


Venho aqui jogar minha impressão sobre esse tal de doutorado em Ecologia e Biodiversidade, estando na metade dele.
Quando eu me matriculei, me matriculei toda feliz. Eu tinha sobrevivido ao limbo. Eu ia ser ecóloga! Eu ia ter bolsa! Eu tinha chances de ter bolsa FAPESP loguinho, era só escrever o projeto! Eu ia mudar de área de pesquisa, uhu! Eu ia ser multidisciplinar e holística, e ajudar as pessoas a prever áreas que terão hantavirose..
Só que aí de pouco em pouco vieram os "choques de realidade":
-O que quer dizer ser Doutora Ecóloga, se você não tem perspectiva de emprego? Acho que quer dizer ser pós doc por pelo menos seis anos!
-Eu entrei no doutorado sem bolsa.. Me matriculei dia 13 de Março de 2015 e só fui receber alguma coisa da CAPES em Outubro de 2015! Isso foi bem brochante! De verdade, eu passei em primeiro lugar na prova e o que eu ganhei (além de PARABÉNS de um professor do programa), foi NADA. Ou seja, se você quer fazer doutorado, lembre-se, você não é especial*, nem se você passou primeiro lugar.. quem dirá nos lugares subsequentes! Coisas desse tipo te ajudam a entrar numa crise da vida adulta de cara. Não é mimimi, é sentir-se o que se é.
-Eu não tive chance de ter FAPESP loguinho. Minha FAPESP só chegou na conta em Julho de 2016! A morosidade da revisão do projeto é outra coisa bem brochante. Isso quer dizer que o projeto tem que ser parido antes de se iniciar a matrícula no doutorado (ciência preventiva da crise!) para que você seja fomentado de acordo durante todo o processo (ou boa parte dele). Nessas horas eu penso que se eu tivesse filho pra cuidar, ou o leitinho dele, ou a minha carreira acadêmica estariam comprometidos! Ainda bem que nessa época eu tive ajuda da minha vózinha que se foi (te amo vó!) e dos meus pais. Sem isso, sem chance. 
-Eu ia mudar de área de pesquisa, ser holística e útil: Acho que isso foi a única coisa que manteve a "chama" acesa no doutorado. Ou seja, eu mesma e minha vontade de aprender. Me senti muito desafiada a conduzir o projeto que eu construí junto com meus colaboradores. Enfatizo que mudar de área de pesquisa exige muitíssimo do aluno.
Dificuldades a parte, teve também a parte super boa: EU TINHA TEMPO! Nestes dois anos de doutorado, eu fiz uma PORRADA de coisas legais. Quando eu olho para trás eu fico muito feliz, pois evoluí demais pessoal e academicamente. Deu tempo de iniciar e terminar um monte de trabalhos paralelos, conhecer gente de todo o lugar (desde Finlândia até Nova Zelândia) e pensar junto com grandes pesquisadores que eu admiro.
A única coisa que eu diria pra Renata do passado– e para vocês leitores aspirantes a um doutorado– é pra não ter expectativas de bolsa e de acolhida no PPG (Programa de pós graduação). Do resto, eu diria "Você está no caminho certo".
O tempo passou, e aí eu cheguei na metade do curso... e vi que eu tinha começado todos os capítulos do doutorado, mas todos eles ainda eram amorfos. Então agora eu desci com os projetos paralelos para um nível de dedicação basal e estou de fato fazendo meu doutorado. Com isso estou sendo forçada a aprender a dizer não, e eu sou péssima em dizer não! 
Em relação a ganho de tempo, preciso ressaltar que seguir o conselho do meu orientador e também meus guts de não incluir atividades de campo no meu doutorado foi o que me permitiu avançar na multidisciplinaridade do meu projeto, sistemas de informação geográfica, estatística, projetos paralelos e atividades DE ENSINO! Atividades de Ensino me alegraram muito durante o doutorado. Micharias ganhadas pela bolsa didática a parte, o fato das bolsas “tapa buraco” existirem e estarem super frequentes na UNESP me permitiu ser DOCENTE de alunos da Biologia, os quais eu adorei! Isso me permitiu ter certeza de que amo ser professora e acho que até sou boa nisso. Desejo muita força pros bolsistas didáticos, e que eles sejam mais valorizados, tanto no quesito financeiro quando no quesito status social.  
Por fim, espero que lendo isso, você que quer fazer um doutorado em Ecologia ou áreas relacionadas, esteja previnido e consciente da falta de bolsas nos PPGs. Lembre-se dos seus sonhos e pondere se fazer doutorado vai te ajudar a conquista-los.
Boa caminhada para você!
Você quer compartilhar suas percepções também? Comenta aqui embaixo :D


*Essa parte pareceu cruel, mas o mundo do trabalho é por aí mesmo. É importante lembrar que na vida acadêmica, o retorno é principalmente em forma de prestígios (incluindo chocolate). Parafraseando o Pantaneiro, que gentilmente revisou este post, nós pós-graduandos somos especiais sim, fazendo parte de uma parcela muito pequena da população que se dedica à Ciência e ao conhecimento. Mas ninguém (ou raramente alguém) vai te dizer isso na universidade, portanto a autoconfiança tem que estar sempre em dia. Apesar de ninguém dizer que você é ótimo nesse meio com tanta frequência, suas conquistas falarão por você. Seus feitos te precederão. O fato de seus alunos aprenderem ou irem com vontade de aprender na sua aula, seus cursos nos congressos serem sucesso e seus artigos serem citados é uma forma de reconhecimento louvável. E por fim, o fato de não ter bolsa para todo mundo é uma falha no sistema, não do aluno. Mas como melhorar isso é assunto para outro post..


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A verdade (cômica) sobre respostas de editores

Caro aluninho de doutorado/Cara pequena gafanhota,

Obrigada por submeter precipitadamente seu manuscrito para nossa excelente revista. Você tornou tudo tão mais fácil pra mim.. Após ler o seu título e abstract por cima, rapidamente, pelo meu iphone mesmo, eu consultei um dos outros editores da revista (na verdade tomei um café com ele e perguntei se ele tinha visto o título), fizemos uma cara de nojinho conjunta e resolvi te dar Reject. Você está começando, precisa comer mais arroz com feijão, ou precisa de um autor que seja aceito no nosso seleto grupo de editores. Aliás, nem da nossa sociedade você faz parte! Mas no geral, acho que esse seu manuscrito não está muito “a cara” da nossa revista. Então nem adianta submeter de novo, ou ficar de mimimi, certo?
A gente recebe uma porrada de manuscritos aqui.. metade vai pra revisão e nem 30% são publicados.. mas também, nem todos são hot, o seu é um exemplo disso. A gente tem vários critérios para avaliar os papers, mas no geral é só passar os olhos pelo título e pela razão que você nos deu pra publicar.. no máximo as figuras eu vejo, e olhe lá. Aliás, aquela sua figura 2 está muito legal hein, vou usar esse layout no meu próximo paper! (E com certeza ele sairá antes do seu muahahaha..)
Enfim, boa sorte aí.. espero que após você defender consiga logo outra bolsa. Mas se me perguntarem sobre você, nem te conheço!

Mais pra frente, aliás, beemmm mais pra frente, tenta submeter aqui com a gente novamente. Quem sabe eu recomendo pra revisão? Não fica triste não, reject é de praxe ;)

Sinceramente, valew, falows!

Editor chefe


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Recomendação de disciplinas cursadas no doutorado 2015-2016 

Olá pessoal! Parabéns a todos os mestrandos defenderam seus mestrados! Parabéns para você que conseguiu:
*finalizar o mestrado sem ter submetido ou publicado os papers do mestrado
* finalizar o mestrado tendo submetido ou publicado os papers do mestrado
*respirar fundo e tratar bem as secretárias da pós e das finanças, lembrando que elas não têm culpa da burocracia, é o sistema! (superei essa fase faz tempo!)
*conciliar de modo minimamente aceitável sua vida acadêmica com família e encontros com namorado, velhos amigos de faculdade e infância..
*sublimar o fato de seu orientador ser muito ocupado.

Sabemos que não é fácil, se fosse fácil qualquer um fazia pós-graduação!
Agora, depois de ter finalizado o mestrado e entrado no doutorado, ressalto e comento algumas disciplinas que cursei no doutorado:

1- Genética da Paisagem – Dra. Marina Correa Cortes (4 créditos): a professora Marina é ótima, super atenciosa. Na disciplina são mostrados vários métodos de análise bastante atuais para genética da paisagem. A monitora, Carol, é super legal e nos ajudou muito também.
Eu nunca fiz nenhuma disciplina de genética molecular e consegui acompanhar numa boa. Entender o básico de R ajuda, e a disciplina é uma mão na roda para quem já extraiu seus dados genéticos, já calculou índices de paisagem. Ou seja, quem já tem a tabela de dados pronta, pode sair com um artigo terminado, pois as análises são todas muito bem destrinchadas no R. Pra quem já trabalha com genética, mas não entende tanto de paisagem, se abre um leque de oportunidades de investigação com as ferramentas e ideias mostradas.
2- Desenho experimental e análise de dados multivariados – Dr. Tadeu de Siqueira Barros (4 créditos): Disciplina fantástica para ter uma base em multivariada. Aí foi que eu realmente entendi estatísticas por distâncias e as diferentes análises de ordenação e agrupamento. O professor é excelente e as dicussões e literatura compartilhada tem ajudado muito na minha formação. De manhã tem aulas teóricas e a tarde exercícios no R.
3- Curso de campo do ECMVS/UFMG: O curso acontece no Parque Estadual do Rio Doce, uma paisagem lindíssima em uma das últimas grandes manchas de Mata Atlântica em MG. Alojamento privilegiado e comida mineira. Professores bons que focam na parte de treinamento da realidade de ser cientista. Não é um curso de mateiro, é um curso de campo em Ecologia. Nele o aluno aprimora habilidades de história natural, observação, coleta e organização de dados, estatística, apresentação e escrita científica. Muito bom.

Agora disciplinas que não fiz, mas recomendo porque se fala muito bem aqui:
Ecologia do Movimento - Drs. Karl Stephan Mokross e Milton Cezar Ribeiro (4créditos) 
Aplicação de Estudos de Comportamento Animal na Conservação - Dr. Karl Stephan Mokross (4 créditos)

É isso. E você? Gostaria de recomendar alguma disciplina?
Até breve!


terça-feira, 21 de julho de 2015

Carta a um velho cientista

Depois de alguns meses de estiagem, eu volto a desembocar os posts que estavam sendo amadurecidos. Hoje o post é uma carta a um ou alguns velhos (ou não tão velhos assim) cientistas.
Eu nunca fui a Harvard. Diferente do honorável Professor Edward O. Wilson, cujo livro acabo de ler com gosto. Neste livro, Prof. Wilson repete várias vezes o quanto nós, jovens cientistas, somos necessários. Venho por meio desta carta lembrar do quanto você, velho cientista, também é necessário! E urgentemente imprescindível, no mínimo para seus alunos.
Escrevo em nome dos pesquisadores-alunos, ics, mestrandos e doutorandos, órfãos, semi-órfãos, filhos de vários pais científicos, ou de um convencional orientador.
Velhos cientistas, vocês são necessários!
Nós, que nunca fomos a Harvard, não somos formados após a formatura. Somos gado novo, sem peso suficiente pra ser mostrados na Exposhow da ciência.. Nossa raça é indefinida, misturada, brasileira. Não somos ensinados na graduação o que é ser profissional, o que é ser Biólogo/Ecólogo em um mundo “mudado” e em um mercado de trabalho que nos é limitado por muitos motivos. Tentamos correr atrás do prejuízo, mas é muito difícil enxergar um problema quando se está dentro dele..
Nós entramos em um mestrado e damos de tudo pela ciência, mas não nascemos prontos. Somos gado novo. Somos formiguinha. Os velhos cientistas são nossos orientadores, mentores, ícones e exemplos. Eles passam pelo departamento muitas vezes silenciosos, outras vezes irônicos, ou ultra-rápidos. Cobram inovação, cobram publicação ao lado do bebedouro. Mas e a formação? Muitos dos que dizem ser esse tipo de observação um mimimi, mas na verdade o que pensam é MIM-MIM-MIM. Orientadores, se coloquem no lugar dos seus alunos. Vocês já devem ter ouvido falar de cherry picking e outras dificuldades na formação e sucesso de um cientista, certo? Já fui a palestras magnas e li textos o suficiente para defender que hoje é mais difícil pra gente em muitos aspectos. Publish or perish, corta de verbas, falta de bolsas (essa eu já estou calejada), falta de espaço, bolsas didáticas-merreca, falta de material, de método.. Será que os velhos cientistas também poderiam se aperfeiçoar em serem orientadores, no ritmo em que seus bons alunos o fazem em ser alunos?
Se eu não fosse bióloga, seria psicóloga. Já ouvi muito de muitos alunos e sim, de alguns professores. Ah se o blog mostrasse tamanha frustração, espera, e o quanto qualquer atitude/não atitude do velho cientista influenciam na formação do jovem.. Mas aí os orientadores costumam a tratar alunos como um coletivo, “alunos”. “Tem aluno que faz isso, tem aluno que faz aquilo, um absurdo”. Alguma vez você se perguntou, ou perguntou a eles, se estava dando atenção suficiente? Ah... nem brinca né! Após essa frase, talvez muitos velhos cientistas abandonem o texto e voltem pra outra aba do Chrome ou Safari.
O que sempre me agradou na ciência é a progressão da interação Mestre-Aprendiz, que leva a maravilhas na vida científica dos dois. E quando se fala em sala de aula, isso é tão especial quanto. Só prestei Biologia porque a Biologia ensinada pelo meu professor era FASCINANTEMENTE ensinada por ele e aprendida por mim! Na minha visão, essa progressão no mundo acadêmico deveria ser sempre única e especial, como sempre foi para mim. Visão romântica demais, talvez. Porém, vejo casos em que essa progressão se tornou número. Número de alunos, número de papers de impacto maior que 2.0. Cadê a calma? Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo – Disse o pensador. Será que os velhos cientistas deveriam refletir sobre seus alunos de forma menos atropelada por prazos?
 Como vamos procurar novos mundos na Terra? Como teremos uma vida na ciência se não tiver vida pulsante, mergulho interativo, sintonia na ciência entre os próprios autores das obras? Temo por uma ciência rasa e asséptica, de linha de mercado.
Que tal uma busca ao pensar juntos sem levar em conta prazos, assinaturas às pressas, mas sim Descobertas e Questionamentos? Vamos a Harvard: - Quando falei a ele sobre equilíbrio, falei das ilhas próximas e distantes como estando “saturadas”. MacArthur disse: “Deixe-me pensar um pouco sobre isso”. Eu confiei que ele iria descobrir algo. Eu já tinha visto indícios da engenhosidade de MacArthur.. - Em diversas discussões esses caras formularam uma Ecologia moderna e fundamental! Trocavam cartas e as liam, diferente dos e-mails que, se hoje tiverem mais do que 4 linhas, não serão lidos pelos orientadores, ou mesmo por co-autores! Eles, os velhões se encontravam, sentavam e pensavam juntos. Não soa nada difícil a iniciativa que foi publicada em 1967 para o mundo.. Que tal desacelerar e ouvir?
E falando em parcerias, disse Wilson: “Minhas dificuldades em Harvard aumentavam (...) Os mais velhos e mais reconhecidos do corpo docente que trabalhavam com as mesmas disciplinas ou estavam completamente absorvidos na tarefa de cuidar dos seus jardins acadêmicos ou estavam em negação”. – Nem Harvard pode ser perfeita, mas de fato se mostra um grande exemplo por meio de Wilson, que nos valoriza, os jovens cientistas, e nos diz que somos necessários! Aliás, também não é nada mal regar seu próprio jardim. Portanto, lembrem-se: velhos cientistas, vocês são necessários, e isso vai muito além da sua assinatura!
Menos mimimi, menos MIM-MIM-MIM!

Leituras:

http://physics.wustl.edu/katz/scientist.html
https://marcoarmello.wordpress.com/2012/03/14/newbies/#more-170
https://en.wikipedia.org/wiki/Cherry_picking_(fallacy)#In_science
https://dynamicecology.wordpress.com/2012/11/27/ecologists-need-to-do-a-better-job-of-prediction-part-i-the-insidious-evils-of-anova/
http://news.sciencemag.org/biology/2014/08/ecology-explaining-less-and-less  








segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Como sobreviver a um mestrado paulera

Oi pessoal! Feliz ano novo! De volta às postagens com fôlego renovado!
Bem, há duas formas de encarar o mestrado: ou você entra na briga ou adquire uma postura de derrotado. As duas posturas estão em um continuum...Nesse contexto, eu evoco novamente o mestre Yoda:

O título do post é “como sobreviver a um mestrado paulera”, pois acredito que deve haver mestrados não pauleiras, eu não duvido, mas a minha experiência foi paulera. Eu sabia que ia ser difícil e assumi o risco, entrei de cabeça, e foi assim que aconteceu.
Antes de entrar nos pormenores, gostaria de dizer novamente que esse post é sobre MINHAS impressões e opiniões.. são dicas que funcionaram bem para mim =D, ou aprendizados após muita tentativa e erro.

Desafios e excessos que eu tive no mestrado

Resumindo bem, a pergunta do meu mestrado foi: “Existe um limiar de fragmentação para morcegos?” Capturei 1500 morcegos em 15 em SP ao longo de um ano. Depois analisei os dados, fui pros EUA fazer um outro trabalho (BEPE) e voltei. Tudo durou 28 meses. Isso incluiu muitos desafios, e aqui comento alguns:
-Sempre curti campo à noite, porém campos a noite podem ser mais cansativos quando se vive em um mundo diurno. Isso porque o mundo é diurno, restaurantes fecham bem antes das 15h em cidadezinhas pacatas, e geralmente no primeiro dia de campo, ficávamos acordados e trabalhando mais de 15 h seguidas. Era muito cansativo.
-Sempre curti morcegos, porém quando caíam mais de 50 em menos de três redes e só eu era capaz de tirá-los, era #tenso!
-Sempre curti ecologia, mas eita ciência complexa hein!
-Sempre curti estudar, mas a literatura vem avançando tão rápido que me sinto permanentemente desatualizada.
-Sempre curti estatística, mas quando os outros explicam ela parece tão mais fácil do que é quando eu tento estudar sozinha!
Aqui cito a amiga Julia Oshima, que em 20 de Janeiro de 2015 publicou um desabafo/texto legal sobre ser ecólogo pesquisador: “Não basta ser ecólogo, tem que ser artista, matemático, domador, piloto, estatístico, filósofo, jornalista, malabarista, programador, humorista, vendedor e ainda saber contar histórias de forma interessante pro revisor gostar de você”. Ou seja, não é fácil não! (Don´t become ascientist
 E foi paulera também porque foi uma transição, foi um crescimento de conhecimento e experiência de magnitude nunca antes sentida por mim. Foi sair da casa dos pais. Foi pagar as próprias contas. Foi muito mais work hard do que play hard.

Como eu sobrevivi?

Inspiração e obstinação

Primeiro, me inspirei em pessoas ao redor que passaram por perrengues bem maiores que o meu. Aqui, perrengue quer dizer uma porrada de campos para fazer, e depois planilhar, analisar e escrever.. e submeter, e tentar viver em meio a tudo isso! Segundo, eu estava obstinada a terminar o projeto, eu me apropriei dele e vivi por ele. Terceiro, mensagens motivacionais de mim para mim foram essenciais! E aí também entram as mensagens motivacionais do meu ex-orientador Marco Mello, que nem imaginava o que eu estava passando, mas sempre emanava mensagens e ensinamentos positivos. Além disso, meus amigos foram essenciais (valeu Julia, Nat, Pavito, Vini!).

Ter um orientador legal

Contar com um orientador top que me deu condições top de me desenvolver e aprender: Miltinho.
A interação com o meu orientador foi essencial, assim que acabaram os campos (antes até) ele repetia que eu tinha que ir pra fora, que eu tinha que pedir bolsa BEPE, nunca me deixando 100% na zona de conforto ahaha.. obrigada, Miltinho. Ao mesmo tempo, algumas vezes ouvi ele dizer: “Rê, vai tomar uma cerveja”, “Rê, vai curtir a mamãe e cachorrinho, vai”. Ainda bem que eu seguia os conselhos dele hahaha...
Aqui vale a pena ler esse post do MM.

A minha dica é: se odeia seu orientador, faça um favor, mude de orientador.

Descanso e ostracismo

Descanso foi essencial.. entrei em uma bolha familiar que me foi plausível, de final de semana eu descansava muito, via filmes,  e lia livros.. e me afastava dos meus amigos (o que foi um ERRO e estou pagando por ele!). Sim, quem está ao seu redor pode ajudar ou atrapalhar em muito sua vida de mestrando: mas o resultado final depende mais de você e da sua interação com seu orientador!

Leia leia leia

Depois que eu fui para o BEPE (ver post aqui), voltei e tinha muitas coisas a terminar ainda. Já que tinha muito a terminar e entender, estudar foi fundamental. E absorver pode levar tempo. Tem coisas que aconteceram em um trabalho de 2013 que eu só entendi outro dia! Isso porque eu li, li, e agora absorvi! Tem conceitos de estatística que conheci em 2012, mas só fui entender em 2014, e explicar para uma terceira pessoa ainda é um desafio.

Seja bom, não seja bobo

Outra coisa que me ajudou muito, mas depois quase atrapalhou foi o envolvimento com várias atividades e demandas do laboratório. Sempre alguém precisa de orientação para usar um programa, revisar um projeto, coletar, analisar, discutir. Sempre há uma aula pra ser dada, um telefonema a ser atendido, um resumo a ser traduzido para algum camarada do lab. Sempre me envolvi muito em atividades paralelas, até que vi que a frase: “me ajuda, é rapidinho” é um mito rsrsrs...mesmo as coisas rapidinhas e não planejadas podem atrapalhar muito quando se tem prazos planejados a cumprir. No ano passado aprendi que um pesquisador não precisa de uma agenda semanal. O planejamento deve ser mensal e anual! Se bobear, bianual.. Os projetos começam a ficar grandes demais, parcerias te prendem em um trabalho que nunca vai ter fim (nunca mesmo!). Ou seja, você quer mesmo ser cientista? Se sim, aprenda que o trabalho nunca tem fim, mas sua vida sim! Então invista muito em organização, pois o que se leva dessa vida é a vida que se leva. Uma estratégia é resolver coisas boa parte somente com momentos marcados/agendados previamente. Isso funciona bem, e ainda deixa sua rotina com momentos flexíveis para se direcionar a coisas não agendadas. Uma coisa que funciona bem pra mim é pedir que nada  de trabalho seja normalmente discutido no facebook, mas sim no email. Bem mais agradável poder abrir seu facebook sem ter que abrir mensagens chatas no final de semana sobre: “Então, você pode me ajudar no meu trabalho tipo hoje? É pra amanhã”. Ou nada mais brochante que abrir o email domingo à noite contendo um prazo de uma demanda do lab esquecida que vence na segunda, mas só você abriu o email, e muito provavelmente só você estará resolvendo o pepino.
E aí entra outro anti-herói no mestrado paulera, a WIFI no celular.. É quase que irresistível para mim entrar no email de fim-de-semana, mas vim lutando contra isso no último ano, pois isso estava me deixando muito ansiosa e eu estava me sentindo mal e sentindo na pele a parte péssima de ser workaholic (um worklover que fugiu do controle). Então cuidado para não virar um workaholic!!! Se trazer trabalho pra casa ou pros dias de descanso te faz mal, injete uma dose de amor próprio e corte o mal pela raiz! Deixe o trabalho no trabalho. Pós-graduandos também amam, também sofrem, também merecem relaxar =D.

E por fim, aprenda a apanhar!

Um dos grandes lances para seguir feliz na ciência é aprender a ouvir críticas, e chegar a um balanço dinâmico entre humildade e ousadia, que funciona para o seu progresso pessoal e como cientista. Hoje eu sinto um aperto no coração muito menor quando ouço críticas do que quando comecei lá na IC. A gente vai ficando calejado em levar nãos, acredite! O segredo é ir de queda em queda sem perder a motivação e curiosidade de fazer descobertas. Afinal.. o cientista que mais recebe “sims” é muito provavelmente o que mais recebe “nãos”, seja por agências financiadoras, apoios, ou revistas. Então pare de mimimi, e vá a luta!


Eu sobrevivi!

E depois?
Bom, depois de sobreviver ao mestrado, lembre-se que o trabalho não acabou. No mínimo você deveria dar um retorno à sociedade em forma de divulgação científica do seu produto final, e também submeter o seu manuscrito para contribuir de fato com a Ciência, expondo-o ao crivo de seus pares. E depois, vem o doutorado, ou não!
Agora, entre nós, dizem que é fácil entrar no doutorado, o difícil é sair..
Espero ter contribuído para sua sobrevivência, ou pelo menos para seu entendimento ou distração.. Caso queira compartilhar alguma dica de sobrevivência, poste aqui, quem sabe um dia construímos um manual?

Lembrando que todo esse processo teve momentos muito bons e muito dolorosos também, mas foi uma opção minha participar de tudo. E todas as coisas que deixei de fazer no mestrado foram opções minhas, pensadas, dei prioridade máxima ao trabalho. Se me arrependo? Não! Mas hoje ganhei maturidade suficiente para escolher como quero encarar meu doutorado. Não vou levar o doutorado da mesma maneira, pois ganhei eficiência em muitas atividades que antes demorava muito mais, e ganhei tempo também (olha, quatro anos! Ou pura ilusão?).

Esse vídeo a seguir é uma boa analogia para o medo dos prazos ao decorrer do mestrado, uma das cenas que mais me deu medo até hoje! Mas o bom é que:"A vida sempre encontra um meio rs!"






quinta-feira, 27 de novembro de 2014

10 práticas/atitudes saudáveis para se trabalhar no R

#Oi pessoal, recentemente fiz um curso magnífico de R com o excelente #doutorando e amigo Pavel Dodonov, e gostaria de compartilhar 10 #práticas/atitudes saudáveis para se iniciar um script no R que aprendi #apanhando ao longo do tempo:

#1. remover todos os objetos, é uma prática saudável de vez em quando!

rm(list=ls())

#2. o USO DO IGUAL "=" e da setinha "<-": uma coisa é igual a outra? nem #sempre!


c(1,2,3)-> a #entende e funciona espelhado
a<- c(1,2,3)

a=c(1,2,3)
c(1,2,3)=a #não funciona espelhado!

#3. tenha um sistema de nomes, qual é o nome do seu objeto mais importante? #Eu gosto de "dados", o Pavel gosta de "coisa".

#4. os exemplos do help podem ser grandes amigos, se você não entende como #uma função funciona!

#5. default quer dizer= padrão! É o que o programa/função vai considerar/fazer #automaticamente, caso você não mexa nas configurações/argumentos. Se você #quer saber quais são os defaults da função, digite o nome da função:
#exemplo:

rnorm

#function (n, mean = 0, sd = 1) média zero, desvio padrão um!
#.External(C_rnorm, n, mean, sd)
#<bytecode: 0x000000001027ffd8>
#<environment: namespace:stats>

#6. O comando str(dados) é muito útil para ver se você importou seus dados #corretamente!

#7. Se você estiver trabalhando no seu script no Windows, aperte control+R para #mandar rodar seu código. Se você estiver em um Mac, use command+enter.

#8. Lembre-se sempre de revisar comandos grandes:  Duas principais fontes de #erro: ou escreveu o nome errado, ou o tipo de

#objeto não é aquele vc pensava. Quanto mais vezes você der control+R #cegamente, maior será sua frustração e irritabilidade.

#9. não subestime o tempo para fazer um gráfico. Não basta fazer bem a análise, #tem que comunicar bem o seu achado!


#10. A maioria das pessoas que se consideram "Normais" não conseguem ficar 8 #horas seguidas mexendo no R, então encontre seu tempo ótimo. Quando sentir #que a quantidade de erros seguidos é bem maior que acertos, não bata a cabeça #no teclado!

#Salve tudo.. e relaxe, faça um alongamento, planeje seus próximos passos e vá #com deus! Outra opção ótima é procurar a resposta para seu problema em #fóruns (há vários!!!), começando sempre pelas palavras chave do seu problema #no querido Google!

#E você, tem alguma boa prática que acha que todo mundo deveria pelo menos #saber que existe? Compartilhe, pois o R dominou o mundo dos ecólogos!

##"Em terra de bigdata, quem sabe R é rei!"##





domingo, 5 de outubro de 2014

Repasse do Simpósio ECMVS 2014 na visão de uma aluna

Oi pessoal, depois de um tempo sumida, eu volto com o repasse do simpósio internacional de ecologia (PPGECMVS), que rolou em BH de 25 a 27 de Setembro. Aqui vou deixar vocês por dentro do que rolou, acrescentando minha visão pessoal do negócio. Acabei de defender o mestrado, então o simpósio, cheio de temas diferentes, veio em boa hora. Não vou falar de tudo, para não ficar chato, mas enfatizarei o que foi mais marcante para mim.
Organização primorosa, tudo saiu muito melhor do que eu poderia imaginar, e com certeza a qualidade desse simpósio superou o outro simpósio internacional de ecologia do qual eu participei na UFSCar em 2011. O nível de discussão foi alto, com perguntas relevantes da plateia e temas urgentes sendo abordados, como defaunação (Prof. Dirzo) e soluções polêmicas para a mesma (refaunação?). Além disso, temas clássicos e “pedras filosofais” da ecologia foram parte das apresentações, e tivemos a honra de assistir a palestra de encerramento do Prof. Robert Paine (sim, aquele das espécies chaves que você leu no livro do Begon!).
Basicamente a qualidade e a forma de apresentação me despertou tanto interesse que pode ser refletida na quantidade de folhas anotadas no bloquinho que veio de brinde. Nunca escrevi tantas anotações em um congresso/simpósio quanto nesse rsrsrs!
A parte de limnologia foi incrível, top, conheci o trabalho de professores que estão fazendo um trabalho ótimo, como o Prof. Pompeu em Minas, o qual é uma figura inspiradora!
 Além de toda qualidade das discussões, tudo foi apresentado sem “pesar” ou abusar da atenção e energia dos inscritos. O tempo foi, na medida do possível, bem planejado e raramente uma palestra foi maçante. Com exceção das mesas redondas, nas quais sempre tem aquele palestrante que passa demais do tempo por empolgação ou falta de planejamento, foi tudo bem conectado, uma apresentação complementava a outra sem aquela redundância chata típica de mesas redondas mal planejadas. Infelizmente as mesas ruins formam a maioria das que já vi, nas quais os palestrantes ou apresentam seu doutorado sem conectar com algo maior e apresentam temas muito desconexos ou o oposto, apresentações extremamente redundantes (tipo aquelas em que a frase, “como professor tal antes disse e explicou” umas 20X).
A discussão sobre método científico foi produtiva e bem-humorada (marca registrada dos mineiros), relembrando formas de se adquirir o conhecimento (cesta e lanterna, Popper, Kuhn e Lakatos), a importância da pesquisa orientada por hipótese e o falso dilema entre naturalista versus os “hipotéticos-dedutivos”. A irreverente fala do Prof. Parentoni gerou muita reflexão sobre o que é ciência. Nem me lembro mais de quando foi que vi uma palestra em congresso que não “precisou” de slides projetados!
Enfatizou-se também a importância (Og de Souza) de haver a fase de pensamento criativo na ciência, hoje em dia, com pressões por publicação e mil prazos, não temos mais tempo para pensar como deveríamos ter! Concordo totalmente com isso! Isso leva ao risco de se fazer ciência às avessas, no qual você tem que gerar resultados, discussões, produtos (papers) em prazos que não bateriam no tempo que um aluno precisa para absorver e externalizar decentemente seu aprendizado!
Bom, é isso.. E você que foi ao simpósio, gostaria de compartilhar um ponto alto? Comente aqui embaixo!

Do mais, parabéns a toda organização do Simpósio e espero ver mais encontros como esse, seja em Minas ou em outro estado. É claro que se for em Minas a minha pré-disposição já será maior rsrsrs!

Agora algumas fotos relacionadas ao evento:

Logo do ECMVS:


Villa Parentoni e agregados:


Professor José Galisia Tundisi comentando sobre problemas da água em São Paulo:


Eu, Paine e Mitra tietando:


Eu e galera do LEM

Um pouquinho do LEEC (UNESP) no simpósio (Juliana, Mitra, Julia, Pavel, Renata):





Ah! Quem tiver a foto de todos no congresso, me mande, por favor!!