segunda-feira, 8 de abril de 2013

Slow Science, expertise e enfartes


Mais um da série mundial Slow movements, para nos ajudar a encontrar um “caminho do meio”.

O conhecimento aumenta exponencialmente na pós-graduação, se assim você desejar, mas... 
A)     A pressa é com certeza a inimiga da perfeição!
B)      E você colhe aquilo que você planta.

 A)     A galera da genética está acostumada à velocidade incrível com a qual papers e mais papers vão sendo publicados. A ecologia, embora mais lentamente, também está avançando nesse sentido.. para ficar desatualizado “é dois palito”!
A matéria da Carta Capital traduz exatamente as implicações desse ritmo fast science o confrontando com uma outra proposta:
“Os cientistas signatários da slow science entendem que o mundo da ciência sofre de uma doença grave, vítima da ideologia da competição selvagem e da produtividade a todo preço. A praga cruza os campos científicos e as fronteiras nacionais. O resultado é o distanciamento crescente dos valores fundamentais da ciência: o rigor, a honestidade, a humildade diante do conhecimento, a busca paciente da verdade.”


Eu sinceramente penso que a slow science é o caminho para mim e para qualquer cientista iniciante. As coisas que eu fiz com pressa na vida acadêmica saíram ruins, sem comparação com os projetos nos quais dediquei tempo e calma para lapidá-los.
Pode ser tentador terminar um trabalho rápido, mas isso pode por em jogo sua qualidade e veracidade, o que torna a fast “science” um método perigoso!
Uma coisa MUITO importante:
Algumas pessoas me procuram para desenvolver projetos curtos, sem muito comprometimento, para ver qual é que é, então..
Primeiro ponto: se for pra me ajudar em campo ou ajudar qualquer colega para ver se curte o esquema ecologia de campo e ECOLOGIA, OK, perfeito! Mas...
Ponto principal: a palavra “projeto” + a palavra “curto” não combinam com IC, TCC, MSC e muito menos PHD!
Se me propuserem “faça um projeto comigo” eu não vou aceitar menos que ciência. E isso deve ficar muito claro entre aluno e orientador, ou colegas de laboratório. Ciência exige dedicação e ninguém quer perder tempo com um aluno que não sabe o que quer e que quer fazer um projeto sem comprometimento. Ciência e comprometimento andam de mãos dadas!
Por sorte a maioria do pessoal da graduação que tenho encontrado é muito responsável e sincero em relação às suas angústias e  vontades.
Para quem quer aprender a fazer ciência, lembre-se dessas palavras: humildade, estudo, estudo e estudo! Expertise vem com experiência! Experiência vem com o tempo!

E muito cuidado ao pedir ajuda sem ter lido NADA ou muito pouco sobre um assunto que te interessa, pois antes de pedir apoio o mínimo que se deve fazer é estudar para não correr o risco de propor a invenção da roda.
Para quem se interessar a ir mais a fundo nessa causa, acesse o manifesto de 2010 dos cientistas sobre slow science .

B)     Para os apressadinhos e para os nem tão apressadinhos, porém workaholics (eu eu!):
Um trabalho recente (Docentes de pós-graduação: grupo de risco de doenças  cardiovasculares, clique aqui) apontou alto risco para professores bolsistas produtividade do CNPq em relação a outros professores rsrs..
E isso é exatamente o que eu tenho visto.. professores excelentes, workaholics e relativamente jovens enfartando e surtando por aí!
A rotina acadêmica não tende a afrouxar ao longo do tempo.. ainda mais para os apaixonados por ciência.. Além disso, o professor universitário se torna um burocrata-cientista no momento em que é contratado e começa a dar aulas e mais aulas.
Qualidade de vida é essencial, e não é a primeira vez que eu falo disso aqui no blog! 
Um infarto pode ser o preço que se paga pela fast “science”!